terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professores em seu dia...


sábado, 3 de agosto de 2013

Pós-modernidade, virtudes e educação

Pensei muito antes de escrever estas linhas. Quero chamar atenção de meus leitores, principalmente educadores, professores, profissionais respeitáveis e em formação, e demais internautas sobre questões que envolvem o Dia dos Pais, tão comemorado pela mídia. Assim, fiquei dias a pensar sobre o título adequado. Na falta de uma palavra melhor para determinar a tipologia do ciclo contemporâneo, já a caminho da segunda década do século XXI, utilizo o termo pós-modernidade. Queria muito usar o termo "valores", porém, recentemente fui confrontada com a concretude do regionalismo, em que "valores" são unicamente monetários. Assim, o termo "virtudes" substitui "valores", sob a perspectiva da formação contínua do ser humano.

Veja a preciosidade deste texto, de autor desconhecido e sem data:
"O pai entra no quarto do filho e vê um bilhete em cima da cama. Ele vai até lá, já temendo o pior, e começa ler o seguinte:

'Caro Papai, É com grande pesar que lhe informo que eu estou fugindo com meu novo namorado, Juan.
Estou apaixonado por ele. Ele é muito gato, com todos aqueles “piercings", tatuagens e aquela super moto que eu adoro.
Mas não é só por isso. Descobri que não gosto de mulheres e como sei que o senhor não vai consentir, vamos fugir e seremos muito felizes num “trailer".
Ele quer adotar filhos comigo, e foi tudo que eu sempre quis para mim.
Aprendi com ele que maconha é ótima, é uma coisa natural que não faz mal pra ninguém. E ele garante que no nosso pequeno lar não vai faltar marijuana.
Juan acha que eu, nossos filhos adotivos e os seus colegas “gays" vamos viver em perfeita harmonia.
Não se preocupe papai, porque eu já sei me cuidar. Apesar dos meus 15 anos, já tive várias experiências com outros caras e eu tenho certeza que Juan é o
homem da minha vida.
Um dia eu volto, para que o senhor e a mamãe conheçam os nossos filhos.
Um grande abraço e até algum dia.
Com amor
Seu filho"

O pai, quase desmaiando, continua lendo...

PS: Pai, não se assuste. É tudo mentira e estou na casa da Mariana, nossa vizinha. Só queria mostrar pro senhor que existem coisas muito piores que as notas vermelhas do meu boletim, que está na primeira gaveta.
Abraços,
Seu filhão. Burro, mas macho.'   "

Material, no mínimo, interessante. Bom para provocar reflexões... sobre o conhecimento que pai tem de filho. Pai que conhece filho não "quase" desmaiaria. Além disso, a dignidade filial em utilizar os argumentos bastante preconceituosos revelam o quanto o filho se espelha no pai. Bom para provocar boas reflexões, o texto traz a questão do abandono escolar, tão frequente nas mais diversas classes sociais e os motivos que geram esta atitude por parte de adolescentes das mais diversas idades. O texto acima, de autor desconhecido é bom para se refletir sobre a educação sexual familiar e as atitudes de preconceito que dali decorrem. O texto é bom para uma reflexão muito pragmática sobre verdade, mentira, limites e argumentos que povoam o universo da adolescência.

A nossa crise de valores, note bem, pessoas adultas, resolvidas, que ainda assim cometem e admitem contradições, a nossa crise de valores - virtudes não pode perturbar a formação integral das novas gerações. Esta formação, seja no ambiente familiar, seja no ambiente escolar deve estar voltada à dignidade e ao respeito humanos. Amor paternal é incondicional. E o amor filiar vai se desenvolvendo nesse processo de descobertas por crescimento e desenvolvimento. Existem coisas muito piores do que notas vermelhas do boletim, abandono de escola e de lar por amor adolescente. A guerra é a maior delas. A um passo estamos dela, sim da guerra, ao nos posicionarmos intransigentes, insensíveis, desiludidos e desesperados, incapazes de compreender a natureza humana, criada à imagem e semelhança de Deus.



Ao utilizar parte ou todo deste artigo, queira gentilmente e honestamente citar a fonte.



quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fábula para ensinar a solidariedade

Meus alunos sempre tiveram a noção de linearidade na metodologia pedagógica aplicada. No entanto, no contexto neo-liberal brasileiro, com as novas relações estabelecidas nos diversos aspectos, o emprego da linguagem do contraditório é necessária, especialmente para Nível Médio. Assim, uma das aplicações no decorrer das lições trabalhadas foi a seguinte fábula, com matizes às avessas...

          "Uma senhora viva numa pequena chácara e tinha alguns animais: uma vaca, um porco, uma galinha. E lá também guardava milho na tulha. E havia um rato que morava lá. Esse rato vivia sossegado até o dia em que a senhora resolveu colocar uma ratoeira dentro da tulha. O rato saiu desesperado. Correu até a vaca e disse:
          - Vaca, nós estamos com um problema sério: a senhora colocou uma ratoeira na tulha onde me alimento.
          A vaca deu risada:
          - Como? Nós? Você já viu ratoeira pegar vaca? Eu não tenho nada a ver com isso... Isso é problema seu...
          E a vaca foi-se. Então, o rato, ainda desesperado, correu até o porco:
          - Porco, você é meu amigo! Nós estamos com uma encrenca danada! A senhora colocou uma ratoeira na tulha onde guarda o milho!
          - O que é isso? Eu estou muito longe da tulha... E, além disso, sou bem grande. Essa ratoeira aí não vai me pegar, não... Ratoeira não pega porco. Olhe o seu tamanho, olhe para você: o problema é seu, meu caro.
          O rato não acreditou no que estava escutando... Então, sem apoio, percebendo o perigo da ratoeira ali na tulha de milho, desesperou-se mais e mais. Lembrou-se então da galinha. Correndo, foi falar com ela:
          - Galinha, nós estamos com um problema muito sério!
          - Pelo amor de Deus, rato! Eu já estou cheia de problemas por aqui e você ainda traz mais um para me torturar! O máximo que eu posso fazer é orar por você!
          - Mas tem uma ratoeira lá!
          - Mas isso não é comigo. Isso é contigo!
          O rato nem sabia o que dizer! Foi embora cabisbaixo, até soluçar, soluçou.
          À noite todos a dormir, ouviram sem excessão, um ruído: "Splaft". Imediatamente, todos compreenderam que foi a ratoeira que desarmou. Todos correram para olhar o que acontecera, inclusive o rato, que àquelas alturas encontrara um outro lugar para descansar.
          A senhora da chácara levantou-se e foi verificar o que havia acontecido. Encontrou uma grande cascavel com a ratoeira presa à cabeça. A cascavel se debatia e conseguiu picar a mulher.
          A senhora da chácara foi levada ao hospital à morte pelo vizinho. Ficou vinte dias hospitalizada.
          Depois, recebeu alta com a recomendação de refazer-se da fraqueza que lhe acometia.
          Qual a melhor comida para reforçar a saúde? Canja. Lá se foi a galinha!
          Um mês passou-se. Durante esse tempo recebeu a ajuda de vários parentes para limpar o pasto, plantar as sementes anuais, tratar os animais. Resolveu então oferecer um almoço de gratidão a todos e definiu que o cardápio seria feijão tropeiro. Lá se foi o porco!
          Passaram-se mais alguns dias, a senhora foi à cidade. Constatou que o tratamento que incluia despesas médicas, despesas hospitalares e tudo da internação custou caro. O único jeito da senhora da chácara pagar suas dívidas foi vender a vaca a um açougue."

Desafie aos seus educandos a perceberem as entrelinhas da fábula acima.

Este texto poderia ter outra serventia. Além disso, poderia ter outro título. Fiquei a pensar quantas coisas já li sobre ratos, queijos, milhos, senhoras... Fiz uma pausa para buscar alguns contatos perdidos com gente querida de escolas por onde passei. Interdependência. Esse poderia ser um outro título desse texto... Um dia, numa das escolas por onde passei, alguém alcançou-me a história das estrelas e dos cometas. Qualquer dia escrevo esta a vocês...





terça-feira, 14 de maio de 2013

Atlas digital

Vale a pena conferir...
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE está lançando um ATLAS DIGITAL.
Ele apresenta fotos identificadoras de paisagens e poderá auxiliar no estudo da "Geografia da Religião".
É possível criar atividades interativas e de aquisição de novos conhecimento.
Acesse:

http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php

domingo, 14 de abril de 2013

Respeito à Individualidade

Conversando com colegas professores, e, depois, com alunos e alunas, chamou-me atenção os resultados de opções coletivas que fazemos, seja como povo, seja como um pequeno grupo - de amigos...
Por isso compartilho a seguir o valioso texto de Rubem Alves.

Ganhei coragem
RUBEM ALVES

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo... Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou... Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos... E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre...". Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus.
Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga.
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas, quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas.



Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo


Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia.
Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens, e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer.
O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos... Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção...". Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.


Rubem Alves, 68, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp, autor de, entre outras obras, "A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir" (Papirus).

Site: www.rubemalves.com.br


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0505200208.htm


Lembre-se de citar a referencia ao utilizar o texto integral ou parcialmente.