sábado, 25 de dezembro de 2010

Criações nas férias

A nomenclatura não faz juz a esse artigo, embora tenha relações estreitas. Senão vejamos: ócio; criatividade; calor; impaciencia; inoportunidade, aproveitamento, rendimento... Não vou fazer um teste tipo "se você assinalou 2 destas palavras, você está condenado a tal coisa.", nem fazer testes de "Adivinhou, ganhou!". Talvez surja algo mais interessante!

Férias de verão podem ser muito promissoras, apesar do cansaço acumulado. As nutricionistas agradecem quando ofereço receitinhas do tipo suco tal, fruta tal, sem açúcar, tudo muito natural! Os cardiologistas, então, nem se fala: desde as famosas caminhadas até "0-sal". Tirar proveito do tempo, das opões, enfim, das possibilidades do que está ao nosso redor é oportunidade para preparar-se para 2011 e o que vem por aí...

Rodeios à parte, há algumas atividades imperdíveis, como por exemplo os jogos cooperativos, os jogos de época e algumas atividades que requerem mais tempo: paciência, moinho, dama, xadrez, volei de praia, futebol de praia, bordado, tricô, crochê, pintura, macramê, mosaicos em papel... Procure alguma que faça a sua cabeça ficar relaxada. Eu já encontrei duas opções de modo alternado!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sugestão para o Advento 2010

Simples e direta - conto de Hans Christian Andersen, próprio para o tempo, toca o coração pela singeleza e defronta discentes com a realidade da miséria, da violência infantil e da morte.

A pequena vendedora de fósforos

Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano.
Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas.
Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.
A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando.
Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo.
Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio.
Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão.
Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel.
Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria!
Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso.
Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo.
Sim: nisso ela pensava!
Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior.
Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão.
O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.
Suas mãozinhas estavam duras de frio.
Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!
Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se.
Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha...
Que luz maravilhosa!
Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.
Como o fogo ardia! Como era confortável!
Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
Riscou um segundo fósforo.
Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito!
Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo.
"Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus.
Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!
Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio, nem fome, nem preocupações - subindo para Deus.
Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver.
A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados. - Queria aquecer-se - diziam os passantes.
Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do Ano­ Novo.

Bom trabalho a vocês!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Em ritmo de final de ano

Aos poucos vamos encerrando conteúdos, avaliações. É sempre interessante comparar os resultados obtidos em novembro e dezembro com as expectativas escritas, faladas, documentadas no início do ano letivo. O encerramento propõe esta comparação e tomadas de decisão para o futuro. Por isso, ao desenvolver as últimas aulas é possivel abordar curiosidades e executar pinturas e desenhos vinculados às questões culturais.

As propostas no campo do Ensino Religioso Escolar também contemplam esses aspectos. Tenho aproveitado técnicas de Dinâmicas de Grupo para propor autoavaliações. Ao mesmo tempo alunos do Nível Fundamental, de 5º a 9° anos, não perderam o gosto por usar cores e realizar traçados. A proposta é falar sobre as tradições de encerramento de ano nas diversas culturas.

Pode-se partir para curiosidades, como: o ano judaico não termina no mesmo período do ano civil; o ano chinês também tem características e festejos próprios. A data de 25 de dezembro para festejar o nascimento de Jesus é uma simbologia, adotada por todas as Igrejas de tradição Cristã. Enfim, certamente não faltará conteúdo para ser desenvolvido neste aspecto.

Algumas sugestões de ilustrações a serem feitas:





Referência para mandalas: http://www.desenhosparacolorir.org/desenhos/209-desenhos-para-colorir-Mandalas.html

Bom trabalho!

domingo, 21 de novembro de 2010

Inspirações para o final do Ano Eclesiástico 2010

Compartilho duas imagens, sendo a primeira...


A segunda da série 2010...


Quero relacionar essas imagens com o texto apresentado numa Oficina de Ensino Religioso Escolar no dia 03 de junho de 2008, em Lajeado-RS. Desejo que neste tempo, preparação para Celebrações de Ação de Graças, seja útil, oportuna e necessária, ainda que trabalhosa esta leitura...

A Pedagogia da Alteridade

A partir da sensibilização por meio dos cinco sentidos, audição, paladar, tato, olfato e visão nas aulas de ERE - Ensino Religioso Escolar, tem-se o ethos no Ensino Religioso que vai, sequencialmente, transformando o tolerar em ouvir. Surge então o processo de construção da Pedagogia da Alteridade, foco central do ethos no Ensino Religioso, porque parte do princípio da aceitação e da gratuidade. O princípio da alteridade está centralizado no outro, pois é a partir do outro que nós de fato aprendemos. É a partir do outro que se promove a liberdade, que se promove a valorização da diferença enquanto tal.”

Para nós da educação, em tempos de final de ano, correr contra indiferenças e insensibilidades torna-se urgente. É aí que podemos propor ações concretas de exercitar a solidariedade, a cidadania, a tolerância e todos os sentimentos que as Virtudes assumem. Tornar isso plástico, palpável, concreto é fundamental para promover atitudes que foram desenvolvidas ao longo do ano letivo. E então estamos trabalhando a Ética.

Ética para Paulo Freire é...
“Aceitar e respeitar a diferença é uma dessas virtudes sem o que a escuta não se pode dar. Se
discrimino o menino ou menina pobre, a menina ou o menino negro, o menino índio, a menina rica; se discrimino a mulher, a camponesa, a operária,[as diferentes religiões], não posso evidentemente escutá-las e se não as escuto, não posso falar com eles, mas a eles, de cima para baixo. Sobretudo, me proíbo de entendê-los. Se me sinto superior ao diferente, não importa quem seja, recuso-me escutá-lo, ou escutá-la”. (FREIRE, 1996, p. 120)

Essa relação de respeito mútuo cria um caminho em que se fala e se ouve, estabelecendo uma relação dialógica entre os diferentes, conforme as citações que seguem:

“No processo da fala e da escuta a disciplina do silêncio a ser assumido com rigor e a seu tempo pelos sujeitos que falam e escutam é um “sine Qua” da comunicação dialógica. O primeiro sinal de que o sujeito que fala sabe escutar é a demonstração de sua capacidade de controlar não só a necessidade de dizer a sua palavra, que é um direito, mas também o gosto pessoal, profundamente respeitável, de expressá-la. Quem tem o que dizer tem igualmente o direito e o dever de dizê-lo. É preciso porém que quem tem o que dizer saiba, sem sombra de dúvida, não ser o único ou a única a ter o que dizer” (FREIRE, 1996, p. 116, com grifos do autor).

É preciso permitir-se conhecer a partir delas a riqueza que há nos outros:
“[nosso] planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensões mútuas. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades; esta deve ser a tarefa da educação do futuro” (MORIN, 2001, p. 104).

Madalena Freire WEFFORT[1]:
“Todas estas lembranças quando resgatadas, socializadas entre outras e, assim, apropriadas, ganham status de memória. Memória que alicerça a consciência histórica, política e  pedagógica desse sujeito. O desafio é formar, informando e resgatando num processo de
acompanhamento permanente, um educador que teça seu fio para apropriação de sua história, pensamento, teoria e prática (1996, p. 9).”[2]

Portanto, que vocês colegas, alunos, alunas possam aproximar-se mais da temática Gratidão, seguindo esse caminho... Estudo, silêncio, concentração, inspiração, olhar atento, cores variadas, sábias palavras, edificação das virtudes humanas. Agora, bom trabalho a você! 


[1] Remi Klein cita em tese de doutorado, intitulada “Histórias em jogo: rememorando e ressignificando o processo educativo-religioso sob um olhar ‘etnocartográfico”.
[2] KLEIN, Remi. O Ensino Religioso Na Formação Docente: Um Olhar Sobre A Metodologia De Ensino Religioso Em Cursos De Licenciatura Em Pedagogia. São Leopoldo, Unisinos e Escola Superior de Teologia. Artigo em PDF.

Mantenha a referência, ao utilizar este material didático.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O refúgio seguro

"Somente em Deus,
ó minha alma, espera silenciosa;
Dele vem a minha salvação.
Só ele é a minha rocha, a minha salvação
e o meu refúgio;
Não serei abalado.
Somente em Deus,
ó minha alma, espera silenciosa,
porque Dele vem a minha esperança.
Só ele é a minha rocha, a minha salvação
e o meu refúgio;
Não serei abalado.
Confiem Nele em todo tempo;
derramem perante ele o seu coração;
Deus é o nosso refúgio."

Salmo 62. 1-2; 5-6; 8.